Poemas Apresentados ao III Prémio de Poesia em Rede - Publicação Provisória
10.3.09

Mestre menino

 

Da saudade de intrínseco ser de algo,

Da sede do provérbio de não ter nascido, ainda.

Da vida que, por já ser, é certo que quase finda,

Salva-me, salva-me, mestre.

Tu, meu senhor menino, que, com vontade, te salgo

O pé descalço, o riso, a frescura campestre.

 

Sabes tanto mais que eu, por saber eu tão demais.

Sabes ao sabor do mundo, queres o céu até cima,

Enfastias do infinito no instante de uma rima.

E eu exaspero e acuso, cá em baixo no sopé,

Ansiando pelas forças ancestrais,

Pela universal verdade do “Quem diz é quem é!”

 

Já vi bem mais com os diamantes dos teus olhos,

Já ensinei a muitos outros essas asas de papel.

Não sei como, foi sem querer, mas não lhes fui muito fiel,

Cresci. Chega agora de crescer, de só sonhar as coisas belas.

É a hora de ser livre, é o tempo dos desfolhos.

É a hora, mestre menino, de voltarmos a dançar com as estrelas.

 

 

Miguel de Miguel

 

 

link do postPor poesiaemrede, às 01:42  comentar

De Francisca a 5 de Abril de 2009 às 23:46
Sim senhor, gosto muito do poema!=)
Adoro a ideia das crianças protagonizarem aquela vida ("que, por já ser, é certo que quase finda...") em que a realidade é o existir num mundo perfeito e onde há aquela doce capacidade do "faz de conta"!
Parabéns, tá lindo**

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