Poemas Apresentados ao III Prémio de Poesia em Rede - Publicação Provisória
17.1.09

VAZIO DE CRIANÇA

 

Ah, menino abandonado, roupa rota, alma ferida.

Coração esfarrapado, tu és pedaço de vida!

 

Teu sorriso meio perdido no tamanho da diferença,

Morre em lágrima-gemido, querendo manter a crença.

 

Mas se os outros têm pão, conchego nas noites frias,

Não entendes a razão da solidão dos teus dias!

 

E o tempo, frio e duro, por ti passa, sem parar.

Serás Homem no futuro, sem força p’ra perdoar.

 

Por isso a criança que fui já já chora no caminho percorrido…

 

Sofia Cabral

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A MENINA EM MIM…

Dentro de mim há, todos os dias,
Uma menina muito pequenina
(falo muito a sério, não estou a sonhar!)
Com quem me dou muito bem,
Com quem gosto de brincar.
Não sei o que é vergonha
Por isso nunca dela me envergonho
Mesmo quando é travessa ou faz maldades.
É em mim que a trago, jamais se escondeu
E todos os dias, a todas as horas,
Sou muito mais Ela do que Eu.
As minhas meninas,
As que pus no mundo,
Zangam-se com ela,
Não sabem amá-la
E ela fica triste, chora e vai-se embora
Mas volta a sorrir mal se esqueçam dela…
E eu também sorrio,
Torno a inventá-la,
Dou-lhe dos meus sonhos,
Dou-lhe a minha voz
E enquanto viver não quero perdê-la
Ou desencantá-la!
Se esta simbiose vos não agradar,
Se acharem imprópria esta cumplicidade,
Ó senhores do Bom Senso e do Lugar-Comum,
Vão ter, queiram ou não, de a aceitar…
É ela quem me tece os dias,
Um a um!


Maria João Brito de Sousa

 

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No poema uma criança é da cor do verão

A cor do verão quando o vento sopra nos abetos,
e a sombra do mar entre a brancura das casas.
Uma criança sozinha com os seus olhos secretos
canta e ergue os braços como se fossem asas.

Sempre a caminho de um íntimo segredo,
irmã das fontes, a criança com o sorriso de água,
de lira ao peito, a sua voz de nada tem medo,
e no pequeno coração de âmbar nunca guarda mágoa.

O odor das flores, essa criança sabe-o só de o imaginar,
quando o pólen lhe atravessa a pele como se um rio fosse.
É seu o nome da primavera e todo o seu destino é cantar!
Não sabe outro caminho, nada seria se não cantasse.

E o poema depois de escrito,  os seus olhos confirma
o seu rosto de rosácea, a sua pele de rio se canta.
E, se canta, a criança é toda erguida a voz que ama
tudo aquilo que ela com todo o seu dom encanta.

                             
                          José Pereira

 

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