Poemas Apresentados ao III Prémio de Poesia em Rede - Publicação Provisória
10.3.09

Mestre menino

 

Da saudade de intrínseco ser de algo,

Da sede do provérbio de não ter nascido, ainda.

Da vida que, por já ser, é certo que quase finda,

Salva-me, salva-me, mestre.

Tu, meu senhor menino, que, com vontade, te salgo

O pé descalço, o riso, a frescura campestre.

 

Sabes tanto mais que eu, por saber eu tão demais.

Sabes ao sabor do mundo, queres o céu até cima,

Enfastias do infinito no instante de uma rima.

E eu exaspero e acuso, cá em baixo no sopé,

Ansiando pelas forças ancestrais,

Pela universal verdade do “Quem diz é quem é!”

 

Já vi bem mais com os diamantes dos teus olhos,

Já ensinei a muitos outros essas asas de papel.

Não sei como, foi sem querer, mas não lhes fui muito fiel,

Cresci. Chega agora de crescer, de só sonhar as coisas belas.

É a hora de ser livre, é o tempo dos desfolhos.

É a hora, mestre menino, de voltarmos a dançar com as estrelas.

 

 

Miguel de Miguel

 

 

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Parece que és bruxa


Se pegas na vassoura e aspiras
a voar pelos ares…
parece que és bruxa! Parece que és bruxa!

Se o céu está escuro e tu adivinhas
que não vai chover…
parece que és bruxa! Parece que és bruxa!

Se a dor de um amigo também tu a sentes
e não és indiferente…
parece que és bruxa! Parece que és bruxa!

Se me olhas nos olhos e estás mesmo a ver
o que me vai na alma…
parece que és bruxa! Parece que és bruxa!

Parece que és bruxa mas és só…
criança

e queres ter direito a sonhar;
a brincar um pouco mais no jardim;
a contagiar os outros com a tua alegria
e a nunca pôr limites à esperança…

parece que és bruxa mas és só…
criança.

 

João Alberto Roque

 

 

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O Menino que Voava

 

 

O Menino, corre, corre, corre

Esconde, salta, empurra

Canta, dança, grita

Fala, cala, apanha

Corre, corre, corre

 

Chora, ri, imita,

Desenha, rasga, tenta

Sonha, dorme, acorda

Corre, corre, inventa

 

E leva a mochila que é pesada

Pézinhos molhados

Correndo na estrada

Sacode o caminho

Caminho deserto

Debaixo do sol

Sozinho correndo

 

Já perto da vila

Mochila pesada

Que pesada carrega

Pousa-a no chão

Sobe o escorrega

 

Já é meia lua

Já é meia hora

Corre, corre a rua

Corre, corre agora.

 

 

Joana Espírito Santo.

 

 

 

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