Poemas Apresentados ao III Prémio de Poesia em Rede - Publicação Provisória
25.1.09

Há algo de belo


Há algo de belo em alguém que morre novo,
E nada da beleza está na morte.
Pelos cantos putrefactos do que vejo
Vejo mais, que a vida que se acaba, antes do tempo,
(há lá tempo para qualquer vida se acabar?)
Tem algo de belo nela, nesse suspiro, nesse findar.
Um romantismo estéril e moribundo,
Do que acabou antes de vir a ser,
E a ignorância do que seria,
Evitando a decadência do lento deixar de ser.
E é triste, e é belo, e emociona-me
O arder e o apagar independente
Da vontade ou desejo do portador,
Apenas por significar o que significa:
Menos o fim de uma esperança infinita num tempo finito,
Menos uma cortina a separar o tudo do nada, e do menos que isso,
Menos uma alma incompleta à espera de o descobrir
(completa por isso)
Menos um resfriar lento e comedido, para não parecer mal,
Mais um suícidio em nome da eternidade.
 
O medo. O medo. O medo.
Perde-o.
Agora ou depois, ardendo ou apagando,
Criança com tudo ou acabado com nada,
Perde-o.
Só te resta a morte.


Pedro Leitão

 

 

link do postPor poesiaemrede, às 01:09 

De Paulo Eduardo Campos a 13 de Fevereiro de 2009 às 13:31
Parabéns Pedro. Um poema bastante forte.
Os dois primeiros versos são muito bons assim como os últimos da primeira parte do poema

Paulo Eduardo Campos

De
  (moderado)
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Este Blog tem comentários moderados

(moderado)
Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Poesia em Rede
 
Poesia em Rede
Janeiro 2009
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
13
15

19
21
23

27
28
29
31


subscrever feeds
blogs SAPO