Poemas Apresentados ao III Prémio de Poesia em Rede - Publicação Provisória
25.1.09

Há algo de belo


Há algo de belo em alguém que morre novo,
E nada da beleza está na morte.
Pelos cantos putrefactos do que vejo
Vejo mais, que a vida que se acaba, antes do tempo,
(há lá tempo para qualquer vida se acabar?)
Tem algo de belo nela, nesse suspiro, nesse findar.
Um romantismo estéril e moribundo,
Do que acabou antes de vir a ser,
E a ignorância do que seria,
Evitando a decadência do lento deixar de ser.
E é triste, e é belo, e emociona-me
O arder e o apagar independente
Da vontade ou desejo do portador,
Apenas por significar o que significa:
Menos o fim de uma esperança infinita num tempo finito,
Menos uma cortina a separar o tudo do nada, e do menos que isso,
Menos uma alma incompleta à espera de o descobrir
(completa por isso)
Menos um resfriar lento e comedido, para não parecer mal,
Mais um suícidio em nome da eternidade.
 
O medo. O medo. O medo.
Perde-o.
Agora ou depois, ardendo ou apagando,
Criança com tudo ou acabado com nada,
Perde-o.
Só te resta a morte.


Pedro Leitão

 

 

link do postPor poesiaemrede, às 01:09  comentar

De Carla Ribeiro a 26 de Janeiro de 2009 às 14:39
Lindíssimo, o poema... Profundo, poderoso, de palavras fortes para uma mensagem forte. Gostei!

De Pedro Leitão a 26 de Janeiro de 2009 às 15:45
Muito obrigado:) Por acaso tinha algum receio disso mesmo, pela amostra dos poemas que aqui tinha visto, é sempre algo mais arriscado transmitir ideias e palavras fortes, principalmente sobre o tema desta edição do poesia em rede.

De qualquer forma, não adianta também fugir a realidade, e fico mais descansado pelos comentários que tenho recebido até agora, que ainda por cima se revestem de outro significado ainda por serem todos de pessoas ligadas também a poesia :)

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